Wednesday, April 21, 2010

Telemarketing

Foi abordada hoje por dois telefonemas de telemarketing, um de uma televisão por cabo outro do ginásio onde há duas semanas decidi ir pedir informações. A comercial da ZON não teve a mínima hipótese e deve ter-se surpreendido quando deste meu lado ouviu, num tom efusivo: - Ainda bem que me liga!
Consegui ser irónica, claro está, e perguntei por o meu cartão ZON que dá descontos em bilhetes de cinema. Ela estupidamente pergunta-me se já tenho o pacote Telecine. Ou seja, como quem não quer a coisa tentou vender-me um produto na mesma. Sem efeito. Desliguei o telefone após um muito obrigada da parte da senhora. Vamos lá ser honestos , sinceros vá, deve ter dito algo do género “ olhem-me esta hein! Para o que uma pessoa com licenciatura nasce!”
Já a outra do dito Health Club diz que só ligou para recordar e saber que a tenho ao dispor. Ora bolas se me tivesse dito que baixava o valor daquela mensalidade caríssima é que me espantava. Agora pagar 63 euros ao mês por um ginásio dos meus míseros recibos verdes? na... na ni... na não! Tenho de me controlar, ir correr para a estrada ou ver a SIC Notícias à noite, ou ainda ao Sábado esticar as pernas no sofá, percorrer centímetros próprios de um apartamento.

Frases que marcam

"A originalidade é um traço cuja utilidade mentes medíocres não conseguem descortinar" do filósofo John Stuart Mill

Saturday, April 10, 2010

Sensacionalismo à la TVI

Estava eu, esta manhã, a saltar de canal em canal e resolvi parar no TVI24. Não é um canal que veja com frequência, posso dizer até que raramente estive mais de 10 minutos sintonizada nele pois tenho como preferência outro tipo de informação. Sucede que a curiosidade é uma mesquinhice que toca a todos e há dias em que tenho vontade de ver as linhas editoriais dos outros canais, nomeadamente, no que diz respeito a notícias.
Após breve justificação, retomemos a minha manhã e o momento em que parei nesse canal.Um pivô bem ao estilo CNN, naquela altura pareceu-me bem, estava a lançar a notícia do funeral do jovem que caiu de uma varanda em Loret del Mar. Começo a ver a notícia eis senão quando a jornalista faz duas perguntas: como é que está a viver esta tragédia? É duro?,que deixam antever os objectivos da notícia: provocar lágrimas e aquele sentimento de pena - oh coitadinho!
Como se não basta-se não disseram nada de novo. Desde quando é que um funeral de um jovem que morreu, do qual já se tinha falado quando foi de facto a notícia, obviamente, é tema do dia?
Então e o código de ética do jornalismo? Esse foi escrito para ser cumprido. Por fim ficam duas dicas: o jornalista deve proibir-se de humilhar as pessoas ou perturbar a sua dor, e mais o jornalista deve combater a censura e o sensacionalismo.

Monday, April 5, 2010

Bob Dylan censurado

A digressão do músico norte-americano na China foi cancelada. O motivo é o facto do país viver numa ditadura comunista, do género de Cuba, onde não permite liberdade de expressão e desde que Byork gritou num dos concertos naquele país: Tibete livre, que a China tem impedido vários artistas de lá actuarem.
Juro que às vezes nem parece que o mundo sofreu o que sofreu no século passado,que não passamos pelo Holocausto, pelo Franco, pelo Salazar, pelo Pinochet. Custa a acreditar que ainda hajam nações que vivem na era da pedra e de atrofiamento cerebral, onde só os mais frios e insensíveis sobrevivem, onde a subserviência prevalece sobre a liberdade de conduta. Que mundo é este em que vivemos?
Uma vez em Cuba de Fidel, defensor de Cuba livre serás! A título de exemplo na altura dessa minha viagem posso dar como testemunha uma pessoa com a qual mantive uma conversa. Em Havana conheci um tal de Júlio, que levava a vida como guia turístico e como tal não se podia lamentar como o seu povo irmão pois o que ganhava dos viajantes dava para o gasto.
No entanto, ao contrário deste Júlio muitos são aqueles que passam por dificuldades extremas na Ilha, desde finaceiras a sociais. Na altura, já lá vão quatro anos, ainda não podiam aceder à internet - era proibido. Em Havana, havia polícia pelas ruas com ar desconfiado como aqui (em Portugal) há sinais de trânsito, só que o objectivo lá era apenas um: controlar pessoas.
Muitos nunca sairam daquela ilha mas não é porque não querem, não são autorizados. À excepção de artistas ou médicos com vistos de trabalho, esses podem. A felicidade é à superfície da pele, da pele morena, esconde-se por detrás dos ritmos quentes e latinos que sentem. Como acontece na China que cancela a digressão de um músico como o Bob Dylan com o receio de que este lançasse alguma farpa ao governo comunista pela guerra no Tibete.
Ainda existem muitos povos presos nas garras de governos tiranos, não vamos fazer de conta que nada acontece.

Friday, April 2, 2010

O meu computador é lindooo!

Finalmente consegui fazer o meu primeiro investimento, comprei ontem no Media Markt este Sony Vaio e estas são as primeiras das muitas linhas de textos que vai escrever. Espero que dure tanto como o Toshiba,se tal acontecer não volto a troçar dos japoneses, nem do buda, nem do chá verde, nem tão pouco do sushi! Prometo.


Wednesday, March 31, 2010

E desta foi de vez

o meu computador pifou! E o facto de ter de comprar um quando tenho um escasso pé-de-meia despontou em mim este desabafo:

Faço parte da classe dos recibos verdes. Sim, leram bem, em Portugal há as classes altas, médias, baixas e a dos recibos verdes, que nem é boi nem vaca. Andamos ali, no limbo, arriscamos por amor à vocação, àquilo que estudamos e aprendemos a fazer. Somos um conjunto de pessoas licenciadas em cursos de comunicação (e não só) que, por norma, aufere um rendimento na casa dos 800 euros. Somos um conjunto de pessoas visto como indiferente e pouco produtivo para a sociedade. Somos renegados à partida: um curso de comunicação? Para quê? O que é que isso altera no crescimento do PIB e por arrasto da economia?
Cambada de anormais é o que é. Porque se a própria regulação laboral é assim as empresas não têm obrigação de acolher melhor quem para elas trabalha.

Wednesday, March 24, 2010

Late-night with Notícias

Bom, é precisamente meia-noite e vinte e seis minutos. Não estou a ver o 5 para a meia-noite da 2, não! Encontro-me a ler as notícias do dia, ou melhor será dizer do dia anterior. Notícias que já sabem a requentado, sabem? Porém é algo que gosto de fazer em último caso, quando durante o dia não houve uma brecha maiorzita para passar os dedos por um diário e consumir os factos do dia. Tive apenas uns minutos em que desviei os olhos do monitor para a televisão e eis senão quando, nesse momento, falava Paulo Baldaia, directo da TSF. O que retive do seu depoimento foi que "devido à deterioração das condições de trabalho e ao facto dos jornalistas serem mais mal pagos" o jornalismo é feito com mais dificuldades do que há vinte e tal anos.
Permita-me questioná-lo, Paulo Baldaia, escrevendo: Quais foram então os anos dourados do jornalismo? Os anos oitenta?
Se calhar até foram, afinal estamos a falar de anos que no fundo representavam a década pós 25 de Abril. Meu Deus, de repente tenho um assomo de preocupação: será que estamos a regredir em tudo? Será? Não quero pensar assim, quero prender-me às questões em que acredito e que me fazem viver em liberdade comigo, com os outros e com o futuro de todos nós.

Thursday, March 18, 2010

A sociedade está doente

"É tudo uma data de ladrões e uma data de chupistas..."
Se virem os fóruns diários da TSF, Antena 1 e SIC Notícias chega-se à conclusão que o povo está descontente. Isto chegou a um ponto em que a insatisfação com as medidas políticas, económicas e sociais é tanta que o substantivo pelo o qual mais se houve chamar a classe política é: cambada.
A sociedade está doente, urgem medidas radicais para a salvar. Porém não creio numa oposição fraca - dá-me uma espécie de azedume na boca ao ouvir falar Paulo Rangel.
Um homem que deixou o cargo de deputado europeu (escolhido pelos portugueses) para se candidatar à liderança do PSD, porque o país precisa dele? For god sake!
Tudo indica que vença na luta interina no PSD mas para próximo primeiro-ministro duvido. Ainda por cima a pedir maiorias absolutas sem falar uma linguagem que entendamos? É que se repararem os termos que ele usa para falar são apenas teóricos, o que faz com que mal o ouço falar assome-se-me à memória um discípulo do senhor a espalhar o seu sermão. E não é o do padre António Vieira aos peixes, esse sim era eloquente.

Thursday, March 11, 2010

Palavra muito em voga

Asfixia.

A entrevista de Cavaco Silva

a Júdite de Sousa foi sem sal. Não adiantou nada que não soubessemos. Sempre muito contido no discurso. Acho que nós portugueses mereciamos mais explicações, sobretudo na polémica do seu assessor, altura da entrevista em que notou-se algum incomodo (alteração do tom voz). Concordo com a pergunta do jornalista João Adelino Gomes, no programa Discurso Directo da RTP, aos comentadores Emídio Rangel, Joana Amaral Dias e o outro que sinceramente não me recordo do nome. A pergunta foi mais ou menos isto : afinal se não pode falar sobre face oculta, compra da TVI, a escolha do novo líder do PSD,recandidatura e a polémica do seu assessor, porque dá uma entrevista?
Pelo menos a Cândida Pinto sempre se focou num ângulo diferente: a vida do presidente.

Tuesday, March 9, 2010

Vende-se portátil toshiba

Se és daqueles que está alerta e pensas que poderá ser uma oportunidade de comprares uma máquina boa (linguagem nerdista) este não é o local indicado.
Quero tão só e apenas descrever o estado decadente, moribundo mesmo, da vida de um portátil com sete anos.
Julgo que a vida de um computador se assemelha à vida de um cão que entra na velhice a partir dos sete anos. Segundo padrões humanos corresponde exactamente a 49 primaveras.
Trata-se do meu "laptop", este calhau que bloqueia o seu próprio sistema operativo do nada, inclusive quando mais me faz falta, que muda de resolução como quem muda de cuecas, que de portátil já não tem nada. Primeiro porque pesa mais de cinco quilos, número que calculo de cabeça porque na verdade nunca o comprovei, porém quando tenho de deslocar-me com ele é como se tivesse um peso de ginásio no lado em que o carrego. Quase me provoca uma deslocação de ombro, imaginem!
Outro aspecto que me faz considerá-lo um PC vulgar é a falta de autonomia. Não consigo estar nem cinco minutos sem que comece a fazer o som de bateria fraca: pi...pi...piii! É que agora nem o carregador, o segundo que compro, funciona exemplarmente.
Ao longo do tempo fui fazendo várias actualizações ao dito cujo - Pentium 4, CPU 2.00 GHz - a saber: 768 mb de RAM e ainda um disco com 80 gb. Mas agora nada valem perante as inovações tecnológicas que são notícia no dia-à-dia.
Para já, a curto curtíssimo prazo, vou mantê-lo a não ser que haja alguma alma igual à do Muhammad Yunus (Prémio Nobel da Paz em 2006)disponível para me conceder um microcrédito e imediatamente ponha fim à relação áspera que temos.
Sabem que mudar de vida, no meu caso, significa começar a ter contas para pagar da casa, do carro, da alimentação, por isso tenho de me desdobrar em matéria de contenção de despesa.
Talvez quando encontrar algum ACER em promoção quebre este pensamento economicista.

Saturday, March 6, 2010

Música

Que estupidez este novo formato dos vídeos. Agora vamos ao you tube buscar coisas e é isto que acontece sempre nos blogs!?
Ó senhores dos vídeos, peço-vos encarecidamente, coloquem um tutorial para os mais leigos. Anda uma pessoa a tentar embelezar o blog e aparece-me cá cada complô pela frente.

Clássica sugestão de leitura em dose dupla



Manuel Alegre saltou-me imediatamente à vista dos expositores da livraria com este livro. Pareceu-me, pela sinopse, uma história intensa sobre as relações humanas em si mesmas e a ligação do Homem aos animais de estimação. É curtinho, leio-o num serão deste que por aí vêm.

O primeiro, Miguel Esteves Cardoso com o seu amor fodido. Há muito tempo que ando para adquirir um exemplar deste livro, já criticado pelo El PAÍS assim: "Miguel Esteves Cardoso experimenta con una notable variedad de registros (el monólogo central del personaje masculino se mezcla con numerosos diálogos, con poemas y aforismos), simulando un lenguaje ágil y rápido plagado de coloquialismos, apto para todos los públicos". E também assim: "algunas de las mismas cualidades del libro son sus principales defectos: se trata, al mismo tiempo, de un libro desmesurado en su concepción del lenguaje, ingenuo a veces en su afán por descalabrar la sintaxis, con un argumento en el que los aspectos más tormentosos de la relación amorosa rozan, demasiadas veces, los límites del absurdo".
Tenho curiosidade de saber qual destas duas opiniões está mais acertada. Espero que tenha aguçado o vosso apetite pela leitura este fim-de-semana, mais um... chuvoso.

Thursday, March 4, 2010

Porque te interessas tanto por enfermagem?

De repente surgiu esta pergunta. Tentou adivinhar a resposta continuando a perguntar. Será porque está na moda ver a Anatomia de Grey (gosto pessoal comum às duas), ou as séries de doutores? Ao que respondo: não se trata disso, mais, nunca pensei seguir carreira nessa área, se é o que estás a imaginar, não mesmo!
O que posso fazer se tenho olho clínico e todas as profissões me podem fascinar num determinado momento, pois começo a imaginar a história que se pode contar através do cunho pessoal de cada indivíduo. Classe alta, média ou baixa é indiferente, a ideia é encontrar alguém que se destaca no que faz.
Gosto de ouvir as histórias de vida e reproduzi-las tal e qual, tanto quanto me é possível. Mas nem por isso acho tudo muito interessante, dou é o benefício da dúvida.
Por vezes penso se é um gosto que nutro de pequena, porém rapidamente chego à conclusão de que em criança não tinha os meus pais a lerem-me históriazinhas engraçadas antes de dormir. Lembro-me do primeiro livro que me ofereceram, contava a história das épocas festivas do ano, nomeadamente, o Carnaval. Tinha mais ilustração do que texto, afinal tratava-se de um livro de contacto com as histórias escritas.
Mais tarde surgiu "Uma aventura debaixo-da-terra" e "Uma aventura no supermercado". Estes livros eram de ler e chorar por mais, não tenho dúvidas de que qualquer pessoa que se preze da geração início dos oitentas concordará comigo.
Voltemos à enfermagem. Acho ainda mais interessante enquanto história de vida, qual é a sensação de ajudar a salvar a vida de alguém diariamente, por exemplo, se é que existam palavras concretas para definir esse estado de alma, ou analogias. Daí o meu grande interesse pelo tema, percebeste agora?

Sunday, February 28, 2010

Diluir os ses

O que sucede com o planeta terra nos dias de hoje que adoece a olhos vistos.
Resposta: alguns pensam serem efeitos colaterais de uma divindade supra-suma e resignam-se. Pensam: para quê fazer o que quer que seja se as condições humanas e do planeta terrestre são alienáveis.
Como me dizia e bem uma amiga próxima é fácil imputar as responsabilidades nos outros, árduo é encarmos que somos nós os culpados destas mudanças ambientais do século XXI, que em prol do desenvolvimento social, tecnológico e cientifico destruímos os ecossistemas , a biosfera, a estratosfera, a atmosfera, tornamos o ar que respiramos irrespirável.
Foram os incêndios do Verão passado, os dilúvios deste Inverno, os sismos oceânicos, terrenos, fenómenos naturais que desertificam a terra, a nossa aldeia global.
Isto são coisas que acontecem mas fazendo uma retrospectiva ao historial do mundo, nunca antes sucederam com tanta frequência. Por isso, deixemo-nos de egoísmo e ajamos para e com a Humanidade.
Sobre a Madeira? Pareceu-me uma falta de ordenamento territorial notável, porquê construir casas em cima de um leito de um rio, por exemplo. Nunca visitei o Funchal, tão pouco o arquipélago,mas pelas imagens que nos chegam conseguimos retirar essa ideia de construção desenfreada. Não me tomem, porém, como uma teórica pois não gosto de viver com os "ses", gosto que os erros sirvam para diluí-los.

Tuesday, February 23, 2010

23 anos depois...

não podia deixar passar esta data em branco. Faz hoje, hoje mesmo esses anos todos que Zeca Afonso partiu. Posso dizer que não foi do meu tempo, não passei por nenhum regime ditatorial, opressões de qualquer espécie, no entanto enche-me a alma, tantíssimo ao ponto de ser aconchegante ouvi-lo cantar. Ai! Como é bom a liberdade.
Porque entendo-te, Zeca, falamos a mesma língua: o acreditar, contribuir para mudar consciências inadequadas, despertar-nos, a nós portugueses da passividade das coisas. Tu e tantos outros heróis da revolução de 25 de Abril, ah! como vos admiro, a luta pela Democracia, pela Justiça, pela Igualdade, sempre. Como podem sequer falar que estamos a viver uma ditadura actualmente? Fico perplexa com tamanha ignorância.

Monday, February 22, 2010

La domenica è stata così


Uma rendição ao capitalismo traduzida numa ida ao Mcdonald´s foi compensada por um filmezinho menos prevaricador, que parece ter pouco íman para as massas. Mas, ao invés, para mim tanto teve íman que acabei por ficar colada ao ecrã naquelas duas horas, tempo do início ao fim da película: " Os homens que matam cabras com o olhar". De resto, acrescento, o George Clooney neste último ano, nos seus últimos papéis, tem qualquer coisa de especial. Está em grande forma o senhor.


Friday, February 19, 2010

"Este país não é para velhos"

Quando me chegam relatos de falta de ética e eficácia da classe médica deste país, por pessoas que tiveram de frequentar o SNS (Serviço Nacional de Saúde) sem poderem optar pelo privado, como é óbvio a maioria da população assim procede, fico entristecida, revoltada, estupefacta, incapaz. É repugnante o que se passa em Portugal quando os cidadãos, na verdadeira acepção da palavra, ou seja aqueles que têm as contribuições em dia, e que precisam de ajuda para lutar contra um problema de sáude são recebidos por médicos incompetentes, absurdos, que compraram certamente a carteira profissional e o livro do código deontológico, como quem compra um artigo qualquer comercial numa loja de artefactos.
O que se passou é inadmissível. Uma senhora octogenária sentiu-se mal pela manhã, chamou o INEM que a transportou para o serviço de saúde da sua área de residência e onde lhe foi dito que tinha danos graves nos pulmões e que necessitava ir de urgência para o hospital agregado e de serviço àquela região a fim de saber se era um problema já de anos ou se era uma coisa recente.
E agora aqui entra a minha voz de manifesto. A ciência é tão avançada, logo, a medicina também o é, porque é que numa consulta de medicina no trabalho não se engloba exames médicos a tudo? Reitero, tudo. Talvez ajudasse a subir a esperança média de vida.
Voltemos ao cerne do meu texto. Dada a ordem para seguir com a paciente para o Hospital de Tomar e chegando a essa unidade de saúde o médico faz as diligências necessárias para os exames prescritos.
Ao fim de uma hora, mais minuto menos minuto, a senhora regressa para junto do familiar que a acompanha que ouviu do médico " vai tomar estes analgésicos para as dores". A acompanhante retorquiu: "mas doutor ela já toma tantos medicamentos, não tem problema juntá-los?'". O "doutor", quase com as costas viradas responde: "não tem problema nenhum", e seguiu a vidinha dele, sem prestar esclarecimentos sobre os exames realizados. Nem mais uma palavra proferiu.
O que me transtorna de uma tal maneira é que as conclusões que tiro indicam-me que estamos perante um caso de negligência médica a uma idosa. Agora façam as contas a quantos médicos trabalham por aí com a ideia desumana de que se uma pessoa já tem oitenta anos e piques não merece a pena cuidados.Mais facilmente tratavam um animal.
Que pais é este que deixa morrer um ser humano no seu estado mais sensível - a velhice - , enquanto cruzam os braços, e mais, contestam por aumentos salariais?
Generalizar? Não. Mas a verdade está bem visível, basta entrar num hospital público. Há médicos sem ética, aliás a falta dela nota-se igualmente em outras classes profissionais , porém quando se trata de implicações na vida ou na morte de um Homem o caso muda de figura: o direito à vida tem primazia é o primeiro em qualquer Estado de Direito e há que relembrá-lo sucessivamente face à incompetência de alguns.

Monday, February 15, 2010

A vida são 2 dias e o Carnaval são 3, serão?

Ponto número um: a questão é que quem o inventou com certeza que gostava muito mais do Carnaval do que eu, essa festa onde os mais foliões se disfarçam como querem e encarnam personagens, umas mais mitológicas outras mais cinematográficas, objectos de consumo, de observação, enfim.
Esta expressão “a vida são dois dias e o Carnaval três” dá a entender que a vida é curta demais, e, por conseguinte, deveríamos aproveitar a euforia do Carnaval, os três dias, leia-se domingo, segunda e terça-feira, vivendo sempre com esse estado de alma.
Ora chegamos a uma certa idade em que fantasiarmo-nos por fantasiar, por obrigação e porque é Carnaval não faz parte dos nossos planos, gostamos mais de usar disfarces em festas temáticas. Ou mil vezes seguir um code-dress.
Ponto número dois: A vida só faz sentido se for encarada como sendo maior do que dois dias. A vida é uma etapa onde somos eternamente estagiários nela, ou seja, ela é a nossa única detentora, digamos assim, em termos metafísicos, mas a retribuição por ela nos conceder este período experimental é a responsabilidade e o proveito que desta advém. Se nunca houvesse o lado sério da vida como iríamos saborear o lado carnavalesco? Já pensaram que os nossos momentos aprazíveis só o são porque fazemos uso da emoção muito mais do que a razão? Bom, bom é ter a medida certa destas duas condições em que se divide o pensamento cognitivo.
Sucede que nem sempre é possível aliar a razão à emoção. Na prática quando juntamos sentimentos emocionais ao trabalho, a negociações ou ao estudo alguma coisa corre mal, o sangue começa a ferver e a subir-nos facilmente à cabeça, e por isso falamos o que não queríamos e agimos inadvertidamente. Tento não fazê-lo. Tento separar sempre “as águas” para não perder coisas/pessoas importantes por firmeza e frontalidade num debate.
A emoção. O seu espaço no nosso quotidiano é imprescindível, tem de ter sempre lugar, porque é aí onde eu acredito que reside o nosso carácter, o nosso ímpeto, a nossa individualidade; a razão é o meio que temos para chegar a um fim, ou seja , é crucial para atingirmos metas.
O Carnaval é emoção; a vida é razão.

Friday, February 12, 2010

Constatações de final da semana

Avisto da janela deste escritório onde me encontro aquilo que é o “resto” da Serra de Aire e Candeeiros. Não se pode considerar uma bela vista pois é uma imagem que nem é serra, nem é mar, nem é campo. Seria natural e bonita, esta serra, esta observação minha, senão tivesse torres eólicas espalhadas por toda à parte, que apesar de serem úteis – atenção que sou totalmente pró – ambiente - não jogam nada a favor da natureza e de qualquer quadro paisagístico que podemos contemplar por este país acima/abaixo.
Em primeiro plano vejo um parque de cimento, por vezes cheio de veículos, por vezes vazio mas que nada me diz. Mais além casas, e quando faço uso do meu zoom ocular, aparece-me então esse fragmento de serra com umas antenas no topo, que feio, a sério. É melhor não olhar, longe da vista, longe do coração.
Quando se tem a mínima noção da estética percebe-se o valor da arquitectura, do planeamento, do ordenamento do território. As construções de cimento têm de ser pensadas e enquadradas no espaço e no momento.
Ele há quem prefira o campo ou quem prefira a cidade, eu sou daquelas que prefere a cidade, apesar de ter vivido apenas quatro meses na capital, senti-me bem por lá. Gostei da rotina diária, do ter tudo, mas mesmo tudo à mão (o mal e o bem), ir ao Lux, ao Bairro alto, ao Saldanha, aos cinemas com mais de dez filmes em exibição (imaginem só os termos de comparação a que chego), o casa-trabalho-trabalho-casa, que também sabe bem. Posso dizer: a cidade é um objectivo que não está terminado. Mais não seja para ter uma vista de um qualquer escritório para uma fila de trânsito gigantesca, e um qualquer fim-de-semana recolher-me na pequenez da minha terra linda, só para ter aquele gostinho de seguida valorizar o que tive e não tenho, ou seja, a calmaria das localidades mais pequenas.
Na verdade tudo tem os seus prós e os seus contras. Acho que depende sobretudo das diferentes etapas da vida, daquilo que procuramos. Compreendo aqueles que gostam da pacatez de uma pequena aldeia, pouco identificável nos google earth e maps, os que se repudiam, quase, quando falamos em grandes centros urbanos: ter de me levantar de madrugada para chegar ao trabalho? Isso é perder qualidade de vida. Sim é, mas então e viver num lugar onde é mais fácil cruzarmo-nos com animais de estimação ou com seniores do que com gente da nossa geração? Os prós: as idas ao café de fim-de-semana.
Lá fora continua um clima frio, as mãos enrijecem, os músculos da cara tonificam ao contactar com o ar. Respiro fundo porque o ar que vem de dentro, esse, é quente. O escritório continua o mesmo, a vista para o monte também. O meu espírito de fim-de-semana contrasta com a cor acinzentada das nuvens, que dão lugar às mais esbranquiçadas à medida que a terra se movimenta. Meto a primeira e parto. Primeira paragem, ginásio (é bom e faz bem a pele), segunda jantarzinho e se tiver tempo ainda pinto as unhas com verniz da risqué escuro. Preparo as prendas para o aniversário do afilhado, ou seja, os sacos da Modalfa cheios de roupa e ainda um dvd que vinha com o SOL da semana passada, meto-me no carro para só pará-lo em casa do pequenote. Seis anos: uma idade mágica, vem a escola, os primeiros amigos, a primeira namorada, os TPC´s, confesso, sou uma madrinha babadíssima. Bolo? Espero que não haja para bem da minha dieta de açúcar. E a propósito, já dizia Margarete Tatcher, o comer em excesso faz com que o estômago trabalhe em vez do cérebro.

Thursday, February 11, 2010

Portugal: um país nas bocas do mundo


Leiam a entrevista do NYTIMES ao nosso 1º Ministro. Aproveitem para desenferrujar o inglês, vá.

Tuesday, February 9, 2010

Quiz

Nuno Markl ou Bruno Aleixo?
Nuno Markl
Bruno Aleixo ou Bruno Nogueira?
Bruno Nogueira

Nuno Markl ou Bruno Nogueira?
Não consigo escolher, ambos me fazem rir. E como é bom dar umas gargalhadas no carro logo pela manhã.

Viva ! Viva o humor e seu sentido na rádio.

Cauteloso

É como descrevo o comentário de António Vitorino ontem à RTP sobre o caso SOL/ESCUTAS, que envolve o 1ºministro, Paulo Penedos e Rui Soares. Fortaleceu o aspecto de ter sido o próprio governo a intervir no negócio PT/PRISA, como quem diz que este aspecto ajuda a provar o afastamento político do caso.
Também é verdade que a oposição está cada vez pior. Não temos alternativa de governo, o PSD e outros que estão em posição análoga só se mobilizam para deitar abaixo Sócrates que disto tudo só sai a ganhar.

Thursday, February 4, 2010

Mário Crespo

Vamos lá ver uma coisa, que José Sócrates tem um feitiozínho particular já não é novidade para ninguém. Que aparece sempre optimista face aos problemas do país também não. Que é um óptimo comunicador, também ninguém tem dúvidas. Agora acusarem-no de ditador, de querer exterminar a pluralidade de opiniões e liberdade de informação, quer dizer ainda não chegamos a tanto.
A pessoa que referendou novamente a lei do aborto, para que as mulheres fossem inimputáveis, que lutou pela igualdade dos homossexuais, que na altura em que o governo da oposição queria punir com fortes sanções os que tinham comportamentos de risco, opôs-se. Sócrates desempenhou um papel importante na prevenção da Sida e chamou a atenção que não é com proibições que se educa, mas sim com campanhas de sensibilização e de prevenção. Não podia concordar mais. O verbo educar, amiúdes vezes, prevalece sobre punir.
Então Mário Crespo, não me parece que faça sentido esta polémica. Até simpatizo contigo mas porque não vais assessorar e dás o teu lugar a alguém?

Wednesday, February 3, 2010

País das Maravilhas

Ainda há bem pouco tempo comentava entre amigos que o Reino Unido é provavelmente o país gerador das melhores bandas de sempre de rock, punk e o recente auto-intitulado estilo musical indie.
É verdade que as bandas marcam as gerações, influenciam a maneira de vestir,calçar, pentear, comunicar, comportar, daqueles com rebeldia a correr pelas veias - os adolescentes. Já nos mais crescidotes, onde eu própria me incluo, agora e sempre, pois não há volta a dar ao tempo,a música pode assinalar momentos de inspiração, socialização, divertimento, descontracção.
Oh! Como as mentalidades mudam. Há dez anos estava perfeitamente enquadrada no clima de rebeldia e desenvoltura que a música me proporcionava nessa altura. Bem sei, é uma fase natural de crescimento, afinal da adolescência à idade adulta sofremos uma metamorfose incontrolável, passamos do estado de rebeldia ao estado da vivência.
Voltando ao cerne deste post. The Beatles, The Pixies, Pink Floyd, Radiohead, Arctic Monkeys: são de décadas diferentes mas partilham uma essência musical atípica. Os ingleses sempre quiseram ser diferentes e tenho de concordar que são, na música ( deixemos o euro, o sistema político monárquico e os carros com volante à direita para outro dia).
Eles sabem fazer música e a prova disso é que estão sempre a surgir novas bandas de qualidade. Estes Florence and The Machine são soberbos. A voz angelical e suave com a melodia de fundo rebuscada faz-me lembrar de que o país das maravilhas existe.
E para além de cantar, há uma harpa (!), salta, pula,dança com coreografia. Temos artista.